Boletim da APP – 03/07/26
Informativo eletrônico semanal da APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do PR
Empresas do ‘Parceiro da Escola’ teriam bancado viagens de diretores(as) à Copa; APP-Sindicato exige explicações imediatas da Seed
Entidade protocolou ofício em que denuncia possíveis conflitos de interesses e violação da moralidade pública com a premiação por metas com o lucro da privatização

Um possível esquema de favorecimento e violação dos princípios básicos da administração pública chocou a comunidade escolar nesta semana. A APP-Sindicato protocolou uma representação urgente junto à Secretaria de Estado da Educação (Seed), nesta terça-feira (23), diante da suspeita de que diretores(as) de escolas estaduais que integram o Programa Parceiro da Escola teriam recebido pacotes turísticos de luxo, incluindo passagens aéreas, hospedagem e ingressos para os jogos da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos. A conta supostamente foi bancada por empresas que são concessionárias privadas e lucram com a gestão da rede estadual de ensino paranaense.
“Se confirmado, é um verdadeiro tapa na cara de milhares de professores, funcionários e estudantes que enfrentam o sucateamento diário das nossas escolas. Enquanto faltam investimentos básicos na ponta, a empresa que fatura com a privatização da educação usa o lucro desse mercado para subornar moralmente diretores com viagens de luxo para a Copa do Mundo”, disparou a presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto. Ela repudiou veementemente a premiação e classificou o episódio como um ataque frontal à ética no serviço público.
Com PPP, governo Ratinho confirma escolha: tudo para as empresas, nada para os(as) professores(as) e funcionários(as) de escolas
Estado anuncia bilhões para parcerias com iniciativa privada enquanto nega reformulação das carreiras e equiparação salarial dos trabalhadores(as) na educação
Em mais um exemplo de descaso com a valorização dos servidores e da própria escola pública, o governador Ratinho Jr. assinou contrato de Parceria Público-Privada (PPP) para a construção, manutenção e gestão administrativa de 40 novos colégios estaduais no Paraná. O pacote financeiro prevê um investimento inicial de R$ 1,5 bilhão em obras, mas o total chega a R$ 6,3 bilhões, o que sairá do orçamento do Estado para os consórcios privados ao longo dos 20 anos de concessão.
É um contraste: enquanto o Palácio Iguaçu destina cifras bilionárias para assegurar o lucro de empresas parceiras, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) mantém congelada a pauta de reformulação das carreiras do funcionalismo e nega a equiparação salarial do magistério com as demais categorias que possuem o mesmo nível de formação.
Em Pontal do Paraná, mãe de estudante neurodivergente revela assédio e exclusão em colégio cívico-militar
Ambiente de terror psicológico e perseguição expõe o rastro de desrespeito aos direitos humanos e a farsa do modelo imposto pelo governo Ratinho Jr.
O projeto de militarização das escolas públicas do Paraná coleciona mais um capítulo de horror e violação de direitos no estado. Desta vez, em Pontal do Paraná, a professora de matemática da rede estadual, Mariana Oliveira, mãe de um estudante neurodivergente de 13 anos, rompeu o silêncio para denunciar uma rotina brutal de assédio moral, perseguição estética e constrangimento institucional contra seu filho. O relato expõe o absoluto despreparo pedagógico e o caráter excludente de um modelo que, em vez de acolher, adoece a comunidade escolar e empurra para fora os(as) estudantes que não se curvam à padronização autoritária.
Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), o estudante carrega um histórico de excelência acadêmica: em 2025, o jovem recebeu Menção Honrosa na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), cravou nota máxima em todas as disciplinas no último trimestre do ano passado e mantém média superior a 9,0 no período atual. Mas nem mesmo o desempenho brilhante o blindou do massacre pedagógico; a mãe relata que o filho hoje enfrenta crises de isolamento e ansiedade, severamente acentuadas pela perseguição implacável sobre sua aparência e comportamento.
APP-Sindicato denuncia texto capacitista em avaliação oficial da Seed
Entidade pede retirada imediata do texto "O Poço das Rãs", aplicado a estudantes do 8º ano, e exige revisão integral de todas as avaliações da rede estadual

A APP-Sindicato protocolou nesta semana uma denúncia formal junto à Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) em que exige a retirada imediata e a revisão integral do texto “O Poço das Rãs”. O conteúdo, de teor nitidamente capacitista, foi inserido de forma obrigatória no Caderno de Questões 1 da Prova Paraná 2026 para estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental II da rede pública. Para a entidade, é inadmissível que uma avaliação institucional de larga escala seja utilizada para reproduzir preconceitos e estigmatizar estudantes com deficiência.
“É revoltante e absurdo que a Seed, uma instituição que tem como tarefa garantir a inclusão e trabalhar no combate a qualquer tipo de discriminação no ambiente escolar, apresente na Prova Paraná um texto que reproduz uma cultura discriminatória e capacitista. O mais grave dessa situação é que uma avaliação institucional, promovida pelo Estado que tem o dever de promover a inclusão, o respeito à diversidade e a proteção integral de seus alunos, entre os quais se encontram estudantes com deficiência auditiva, desrespeita todos esses princípios”, ressalta a secretária Educacional da APP-Sindicato, professora Cida Reis.
Surdez virou “recurso cômico”
No enredo da fábula aplicada pela Seed, o desfecho e a suposta “moral da história” revelam que uma rã conseguiu escapar de um poço apenas porque era surda e, por esse motivo, não ouviu os comentários desencorajadores das demais. O sindicato aponta que a estrutura narrativa usa a deficiência auditiva como mero recurso cômico e de surpresa, associando a surdez a uma espécie de ingenuidade ou vantagem indevida. Longe de ser pedagógico, o material gera constrangimento e humilhação direta aos alunos surdos matriculados na rede estadual.
Coletivos de Juventude e LGBTI+ da APP-Sindicato realizam encontro de formação com educadores(as)
Atividade tem objetivo de formar novas lideranças para o movimento sindical e fortalecer a luta coletiva em defesa da educação pública do Paraná

Professores(as) e funcionários(as) de escola das redes públicas do Paraná participam neste sábado (27) e domingo (28), em Curitiba, de um encontro de formação dos Coletivos de Juventude e de LGBTI+ da APP-Sindicato. A programação inclui palestras, oficinas, debates e participação na 9ª Marcha pela Diversidade de Curitiba.
“A gente está observando que nos últimos anos a nossa base está em um momento de transição geracional. Este encontro tem como prioridade dar condições para que esta juventude se organize. Estamos fazendo esse trabalho também em cooperação com a Secretaria da Mulher, Trabalhadora e Direitos LGBTI+. Então, a retomada deste movimento é necessária e muito importante para esse momento histórico e para a formação de novas lideranças para a luta em defesa da educação pública”, explica a secretária de Política Sindical da APP-Sindicato, Simone Barbosa.




