Boletim da APP – 13/07/26
Informativo eletrônico da APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do PR
Conferência define mobilizações para os próximos quatro anos
Durante a plenária final, os(as) educadores(as) lançaram uma carta-compromisso em defesa da educação

Terminou na manhã deste domingo (12), em Pinhais, na Grande Curitiba, a 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato. O evento reuniu centenas de educadores(as) e deixou uma tarefa fundamental para professores(as) e funcionários(as) de escola: lutar pelo avanço da educação pública e resistir aos ataques contra o sistema público de ensino.
“Discutimos, ao longo destes três dias, o nosso papel nesta sociedade e o mundo que estamos construindo. Este evento é fruto de um trabalho coletivo, de meses de planejamento. Cada pessoa contribuiu para concretizar o que materializamos aqui, tanto nos registros formais de nossos documentos quanto naquilo que não pode ser documentado: as memórias, as sensações e a energia revigorante de estarmos unidos. Temos a certeza de que estamos no caminho certo. Não é uma trajetória simples, mas é a via necessária”, avaliou a presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Olegário Mazeto.
Durante a plenária final, os(as) educadores(as) analisaram as novas emendas que deverão ser adicionadas ao documento final, construído a muitas mãos durante toda a conferência. Já as crianças participantes da Conferencinha fizeram uma apresentação cultural, mostrando “qual é a escola do futuro” que elas desejam. A apresentação arrancou aplausos e demonstrou que o futuro da educação está sendo construído para os(as) pequenos(as).
“Escola não é lugar de quartel”, afirma o educador Carlos Abicalil
Ex-presidente da CNTE, professor foi responsável pela palestra magna no primeiro dia da Conferência Estadual de Educação

O professor Carlos Abicalil criticou a expansão do modelo de ensino cívico-militar país afora, como é o caso do Paraná. “Escola não é lugar de quartel”, disse o ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Ele realizou a palestra magna da abertura da 9ª Conferência Estadual de Educação, nesta sexta-feira (10), no Expotrade, em Pinhais, na Grande Curitiba.
“O coração civil é o lugar de protesto, de mudar situações, concepções de mundo”, afirmou Abicalil. A partir da curiosidade, da escuta, da diferença, portanto, o indivíduo se constrói. E daí, segundo ele, é preciso conduzir a existência com alegria, que traz esperança. Por isso, avalia o educador, o tema da conferência acerta ao propor que a escola seja pública, democrática, crítica e emancipadora.
Abicalil também exibiu vídeos para ilustrar como as redes sociais são usadas para impedir o debate que constitui direitos. Ele criticou influenciadores digitais que exaltam empresários e atacam o estado por meio da manipulação de informações. “Ridicularizar o que é público é negar o sujeito coletivo”, observou o professor. “A comunicação é importante para defender a ampliação e a garantia de direitos”, acrescentou.
Espaço interativo resgata histórico de lutas da APP-Sindicato rumo aos 80 anos
Idealizado com perspectiva artística e pedagógica, ambiente traz livros gigantes de LED, homenagem a Helena Kolody e uma cápsula do tempo alusiva ao centenário da entidade

Uma imersão profunda nos acontecimentos que moldaram a educação pública paranaense. Quem circula pelos pavilhões do Expotrade, em Pinhais, durante a 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato, é impactado por uma experiência que une história, arte e tecnologia. O Espaço Interativo Rumo aos 80 Anos foi elaborado para ser mais do que um local de passagem: trata-se de um manifesto estético e político sobre a memória da categoria, pensado detalhadamente para emocionar, mobilizar e valorizar os(as) educadores(as) de todo o Paraná.
O ambiente foi formulado e construído pela coordenação da 9ª Conferência e pelo Grupo de Trabalho dos 80 anos.
“Pensar a comunicação da APP para esta Conferência foi um exercício de tradução estética da nossa própria identidade. Não vemos a nossa história como algo defasado, mas como uma matéria-prima visual que precisa dialogar com o presente. Quando esboçamos as primeiras ideias, pensamos que cada professora(o) e funcionária(o) de escola se enxergasse dentro da obra. A tecnologia dos LEDs e a interatividade da cápsula não são meros adornos; são ferramentas pedagógicas para despertar o orgulho de pertencer a uma das maiores entidades sindicais da América Latina. Estamos materializando em formas, luzes e memórias o fio condutor que nos trouxe até aqui, a luta em defesa da escola pública e que nos guiará rumo ao centenário em 2047”, destaca o secretário de Comunicação da APP-Sindicato, Daniel Popilnicki.
Plenária das Mulheres da Educação da APP-Sindicato organiza a resistência para derrotar os retrocessos e defender a escola pública
Na 9ª Conferência, educadoras debatem a autonomia do próprio voto, o fortalecimento de candidaturas aliadas e a urgência de derrotar o projeto que destrói os serviços públicos

Em um momento decisivo para os rumos políticos do Paraná e do país, as trabalhadoras da educação deram uma demonstração contundente de organização e unidade de classe. Na noite desta sexta-feira (10), o Expotrade foi palco da Plenária das Mulheres durante a 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato. “A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria” foi o grito das mulheres que ecoou na plenária.
O encontro reuniu dirigentes, educadoras e educadores, militantes e outras vozes expressivas de todas as regiões do estado. O objetivo central foi organizar o coletivo para atuar na conjuntura política atual, transformando cada escola em um polo de debate e resistência contra o desmonte dos direitos sociais que impactam diretamente a educação pública e a categoria.
A plenária foi conduzida por essa bancada de mulheres militantes: a secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, professora Tatiana Nanci da Maia; a presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto; a secretária Educacional da APP-Sindicato, Cida Reis; a educadora Celina Wotcoski; e a advogada, assessora educacional da APP-Sindicato e representante da Marcha das Mulheres, Marilda Ribeiro. A discussão funcionou como um chamado urgente à ação.
A ciranda que move a luta: em meio ao debate, um espaço de afeto e inclusão
Enquanto educadores(as) definem os rumos da escola pública paranaense, cerca de 50 crianças ocupam seu lugar de direito com arte, sustentabilidade e o “livre brincar”

Nas plenárias, nos grupos de trabalho e até mesmo pelos corredores ecoa o som das discussões sobre uma “Escola Pública, Democrática, Crítica e Emancipadora”. Bastam, porém, alguns passos em direção à Conferencinha para que o tom mude: ali, o futuro da educação se desenha entre tintas, cantorias, texturas de brinquedos ecológicos e gargalhadas.
Mais do que um simples local de recreação, a Conferencinha consolidou-se, nos três dias da 9ª Conferência Estadual da APP-Sindicato, como um território pedagógico vivo. É um ambiente interativo onde a socialização e a cidadania nascem na prática e provam que o lugar da infância é onde a história acontece.
Para uma categoria composta majoritariamente por mulheres, a garantia de um espaço seguro para os (as) filhos(as) não é um mero detalhe logístico, mas uma ferramenta de democratização política. A Conferencinha cria condições para que mães e pais educadores(a) ocupem os espaços de debate, estudo e deliberação com a mente tranquila.


