Boletim da APP – 14/11/25
Informativo eletrônico semanal da APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do PR
“A propaganda do governo é mentirosa”, alerta professor de colégio privatizado por Ratinho Jr em Curitiba
Privatização foi imposta mesmo sem ter sido aprovada pela comunidade escolar e não resolveu os problemas, afirma professor do Colégio Estadual Protásio de Carvalho
No Colégio Estadual Protásio de Carvalho, em Curitiba, o Parceiro da Escola foi imposto mesmo sem aprovação da comunidade escolar. Foto: APP-Sindicato
Ratinho Jr quer entregar mais 97 escolas da rede pública estadual a empresas “amigas”, com a promessa de melhorias na estrutura e no funcionamento geral desses estabelecimentos. Mas, observando as escolas privatizadas com o programa Parceiro da Escola, a realidade é bem diferente da propaganda do governo estadual. É o que acontece no Colégio Estadual Protásio de Carvalho, em Curitiba, onde o Parceiro da Escola foi imposto mesmo sem aprovação da comunidade escolar.
Na consulta, realizada no ano passado, não houve quórum suficiente para validar a votação, mas a Secretaria de Estado da Educação (Seed) decidiu implementar o programa mesmo assim. “Tentaram arrumar as quadras de esporte e ainda tem vários problemas, como salas de aula sem pintura, com goteiras e infiltrações, quadros de giz despadronizados e laboratório de ciências deficitário”, relata Raphael Zoccoli, professor de Geografia no Protásio desde 2016.
Os resultados do programa Parceiro da Escola estão muito longe do prometido antes da privatização. “A propaganda do governo é mentirosa. Uma das promessas era termos funcionários responsáveis pela segurança e não temos. As profissionais de Psicologia, Nutricionista e Serviço Social têm apenas um dia da semana em nossa escola, o que é insuficiente devido à demanda e sobrecarregando as profissionais”, afirma Zoccoli.
Tribunal julga ilegal e abusiva prática adotada nos colégios cívico-militares de Ratinho Jr.
TJPR negou recurso do Estado que tentava manter regra interna que proíbe cabelo afro e punia aluno negro por conta da sua identidade étnica-racial
Foto: Jonathan Campos/AEN
Uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) reforça as ilegalidades e abusos denunciados pela APP-Sindicato sobre o programa de Colégios Cívico-Militares do governador Ratinho Jr. (PSD). Os(as) desembargadores da 7ª Câmara Cível rejeitaram um recurso do Estado que tentava proibir um aluno negro de usar o corte de cabelo vinculado à sua identidade étnico-cultural. Na decisão, o Tribunal afirmou que “a imposição de padrão capilar desvinculado de finalidade pedagógica fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.”
Para o secretário executivo Educacional da APP-Sindicato, Vandré Alexandre da Silva, o julgamento corrobora a posição defendida pela APP Sindicato, de que é dever do Estado assegurar uma educação pública, de qualidade e livre de qualquer discriminação e racismo. “Trata-se de uma vitória para nossa luta contra a militarização das escolas, que frequentemente viola as identidades dos estudantes ao impor padrões de vestimenta, cortes de cabelo e outras expressões individuais”, afirma.
APP-Sindicato e FES cobram inclusão da data-base e outros direitos no orçamento de 2026
Durante audiência pública sobre a LOA, dirigentes denunciaram manobra do governador Ratinho Jr. e apresentaram emendas para garantir direitos dos(as) servidores(as) da ativa e aposentados(as)
APP-Sindicato e FES cobram inclusão da data-base e outros direitos no orçamento de 2026 - Foto: Altvista / APP-Sindicato
A presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, reforçou na terça-feira (11) a cobrança para que o governo do Estado e os(as) deputados(as) incluam no orçamento para 2026 a previsão de reajustes para todos os(as) servidores(as). A manifestação ocorreu durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que debateu o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) 2026 enviado pelo governador Ratinho Jr. (PSD).
Walkiria fez uso da fala representando o conjunto de entidades que compõem o Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES). A dirigente criticou a dívida do governador Ratinho Jr. com o funcionalismo, principalmente com os(as) aposentados(as) sem paridade, e destacou as pautas dos(as) educadores(as). “Nós já apresentamos a esta Casa as nossas emendas dos servidores ao orçamento, prevendo a revisão geral anual para o ano que vem, mas, enquanto Educação Básica, quero deixar aqui o pleito que as nossas carreiras possam ser revisadas”, disse.
No projeto enviado por Ratinho Jr. não consta a previsão de pagamento de direitos como data-base, promoções e progressões, quinquênios e anuênios e outros direitos das demais categorias. A presidenta da APP-Sindicato criticou a ação do governo enfatizando que o texto apresenta perspectiva de crescimento orçamentário e que isso garante condições da aplicação de índices de reajuste para os(as) servidores(as).
Artigo: O modelo híbrido “fake” da educação paranaense
A implementação do projeto “Parceiro da Escola”, que privatiza a gestão escolar dos colégios do Estado, é tema de artigo do funcionário de escola, Luiz Fernando Rodrigues
Manifestação organizada pela APP-Sindicato em Curitiba contra a privatização das escolas reuniu mais de 20 mil educadores - Foto: Bruna Durigan / APP-Sindicato
Os problemas da implementação e ampliação do programa “Parceiro da Escola”, que privatiza a gestão escolar de colégios públicos do Paraná, é tema de artigo do funcionário de escola, Luiz Fernando Rodrigues. Em seu texto, o educador faz uma analogia entre a tecnologia dos automóveis híbridos (movidos com dois motores, um a combustão e um elétrico) e educação pública estadual do Paraná, que passou a ter escolas geridas pelo poder público e por empresas privadas.
O educador destaca que, assim como ocorre com muitos veículos híbridos, a promessa de um funcionamento perfeito não se concretizou também nas nossas escolas privatizadas. “Vemos falhas graves na gestão e as consequências podem ser irreversíveis, prejudicando estudantes, comunidades, servidores, empregados destas empresas”, alerta Luiz Fernando, que pergunta quem ganha com isso. “Não sou eu, servidor público da educação, não são os professores, não é a escola, não é o estudante. Quem ganha é a empresa, cujo objetivo não é de melhorar a educação, mas sim de lucrar seja qual for a situação”, responde o educador.
Confira o resultado dos sorteios da temporada 2025/2026 das colônias de praia da APP-Sindicato
Os(as) titulares contemplados(as) devem confirmar a vaga e efetuar o pagamento até 1º de dezembro, pelo sistema “Minha Sindicalização” no site da instituição
Colônia de Praia de Itapoá da APP-Sindicato. Foto: Altvista / APP-Sindicato
Os 29 Núcleos Sindicais da APP realizaram, nesta terça-feira (11), os sorteios dos(as) educadores(as) sindicalizados(as) que se inscreveram às vagas para a temporada 2025/2026 das colônias de praia de Guaratuba (PR) e Itapoá (SC).







